O Retorno do Rush: Emoção, Tributo a Neil Peart e o Triunfo de Anika Nilles no The Forum

Onze anos após terem feito o que parecia ser o último show da carreira no mesmo local, Geddy Lee e Alex Lifeson retornaram ontem à noite ao palco do The Forum, em Los Angeles, para iniciar a histórica turnê Fifty Something!

6/8/20262 min read

O inimaginável aconteceu. Onze anos depois de se despedirem dos palcos no mesmo local, os membros remanescentes do Rush, Geddy Lee e Alex Lifeson, selaram um retorno triunfal no último domingo, dia 7 de junho de 2026, no The Forum, em Los Angeles.

Dando o pontapé inicial na emocionante turnê comemorativa Fifty Something, o show de quase três horas não foi apenas o retorno de uma das maiores instituições do rock progressivo mundial, mas sim uma gigante e lavada de alma em forma de celebração e tributo ao eterno "Professor" das baquetas, Neil Peart, falecido em 2020.

Um Retorno Poético Onde Tudo Terminou

O clima no The Forum era de pura eletricidade e nostalgia. A escolha do local foi milimetricamente poética: foi ali, em 1º de agosto de 2015, que o Rush encerrou a turnê R40 — que acabou se tornando, involuntariamente, o último show com Neil Peart.

Após uma década de silêncio e o luto doloroso pela perda do amigo, Geddy Lee abriu o show com palavras emocionadas, deixando claro o propósito da noite:

O concerto foi dividido em dois sets avassaladores. Clássicos absolutos como "Xanadu", "Tom Sawyer", "YYZ", "Red Barchetta" e "The Spirit of Radio" ecoaram pela arena, acompanhados por um mar de fãs praticando "air-drumming" em sincronia. Para enriquecer ainda mais a massa sonora no palco, o tecladista Loren Gold (conhecido por rodar com o The Who) somou-se ao time, dando mais liberdade de movimentação para Geddy Lee brincar com seu icônico baixo.

As Pratas da Casa e as Homenagens a Neil Peart

O fantasma da ausência de Peart foi transformado em reverência pura. Durante toda a apresentação, o telão de LED do The Forum exibiu projeções de vídeos, animações exclusivas e montagens emocionantes homenageando a genialidade artística de Neil e suas ricas contribuições líricas, que moldaram o DNA do trio. Era impossível segurar a emoção nas transições de blocos, onde o rosto do baterista sorria para a multidão que o ovacionava de pé.

A Coroação de Anika Nilles no Trono do Professor

Substituir o insubstituível. Essa era a tarefa hercúlea e assustadora que caiu sobre os ombros de Anika Nilles. A reverenciada baterista alemã de 43 anos, conhecida por seus trabalhos solo virtuosos e por ter acompanhado a lenda da guitarra Jeff Beck, foi a escolhida após uma longa pesquisa cuidadosa de Geddy e Alex.

E como ela se saiu? Simplesmente avassaladora.

Sentar-se na cadeira que pertenceu ao arquiteto dos ritmos mais complexos da história pop exige uma coragem sem tamanho. Nilles não tentou ser uma mera imitação caricata; ela entregou a musculatura, a precisão matemática e os paradiddles complexos com uma confiança que deixou o público boquiaberto. Ela cravou cada virada cirúrgica de "Tom Sawyer" e "YYZ" de forma brilhante, sendo calorosamente abraçada e aplaudida pela fiel comunidade de fãs do Rush, que reconheceu na técnica da musicista o respeito máximo ao legado de Peart.

A química no palco e os sorrisos trocados entre ela, Alex Lifeson e Geddy Lee mostraram que o Rush encontrou o coração rítmico perfeito para manter suas engrenagens girando nesta nova era.

O Rush voltou. Não para fingir que o passado não machucou, mas para provar que a música de arena que eles criaram continua imortal, desafiadora e, acima de tudo, viva.

"Estamos aqui por muitas razões. Estamos aqui para celebrar mais de 50 anos de música que Alex, eu e o grande Neil Peart fizemos juntos. Estamos aqui para prestar tributo a Neil."

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