Korn Encerra Sua Turnê Pela América do Sul e Mostra a Relevãncia do Nu Metal

O Korn acaba de encerrar com chave de ouro sua massiva turnê pela América do Sul. Após arrastar multidões e destilar peso por Bogotá, Lima, Santiago, Buenos Aires e Assunção, os pioneiros do Nu Metal escolheram São Paulo para o grande ato final.

5/18/20262 min read

A apoteose do Korn em São Paulo não é um fato isolado, mas sim o reflexo de um movimento cultural que vive uma força absurda em solo brasileiro. O Nu Metal, estilo que fundiu o peso das guitarras afinadas em tons baixos com o groove do hip-hop e letras profundamente confessionais, completou três décadas de existência mostrando que não se trata apenas de nostalgia dos anos 2000, mas de uma vertente viva que conversa diretamente com várias gerações.

Nos últimos meses, o público brasileiro deu mostras claras dessa paixão avassaladora com shows gigantescos de outros pilares do gênero, como System of a Down e Limp Bizkit. A cena nacional e o público jovem abraçaram a estética — com suas calças largas, bonés de aba reta e camisas de time oversized —, criando um elo único entre os millennials (que cresceram ouvindo o som nas fitas K7 e na MTV) e a Geração Z, que descobriu a agressividade e a vulnerabilidade do estilo nas plataformas digitais.

O Resumo do Show: Catarse, Chuva e Peso em SP

Após nove anos de espera desde a última vinda do Korn ao país, a atmosfera no Nubank Parque estava eletrizante desde cedo. O aquecimento ficou por conta de uma escalação cirúrgica: a intensidade do trio mineiro Black Pantera, o metal moderno do Seven Hours After Violet (projeto encabeçado por Shavo Odadjian, baixista do System of a Down) e o peso atmosférico dos canadenses do Spiritbox.

Quando as luzes se apagaram para a atração principal, bastou o baterista Ray Luzier ditar o ritmo e Jonathan Davis perguntar o clássico "Are you ready?!" para o estádio virar abaixo. A abertura com "Blind" abriu instantaneamente dezenas de rodas de pogo simultâneas pelo gramado. Na sequência, a icônica e bizarra metralhadora de vozes de "Twist" fez a estrutura da arena tremer sob os pulos dos 50 mil fãs.

O show foi um desfile cronológico de hinos: o groove esmagador de "Here to Stay", a energia dançante de "Got the Life" — que teve o visual completado por sinalizadores acesos na pista — e a clássica performance de Jonathan Davis com sua gaita de fole em "Shoots and Ladders".

O elemento surpresa: O batismo sob a chuva

No meio do setlist, durante os riffs pesados de "Twisted Transistor", a noite fresca de São Paulo deu espaço para uma forte chuva. O que poderia ter desanimado o público funcionou como um elemento dramático de purificação. Enquanto a água encharcava as camisas pretas e lavava o gramado, milhares de fãs continuaram abrindo rodas e pulando em total sincronia com os riffs de James "Munky" e Brian "Head".

O encerramento foi avassalador. Após uma breve pausa, a banda retornou para um bis perfeito com "Falling Away From Me", a provocativa "A.D.I.D.A.S." e o maior clássico da carreira do grupo, "Freak on a Leash".

Quando os últimos feedbacks das guitarras silenciaram, a chuva milagrosamente parou, deixando no ar a certeza de que o Korn entregou uma das noites mais históricas e viscerais do rock pesado em solo brasileiro nesta década.

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