40 Anos de "The Final Countdown": Como o Europe Levou o Hard Rock Sueco Para o Topo do Mundo
No dia 26 de maio de 1986, os alto-falantes de todo o planeta foram invadidos por aquela que se tornaria uma das introduções de teclado mais icônicas, instantaneamente reconhecíveis e épicas da história da humanidade.
5/26/20262 min read


No dia 26 de maio de 1986, os alto-falantes de todo o planeta foram invadidos por aquela que se tornaria uma das introduções de teclado mais icônicas, instantaneamente reconhecíveis e épicas da história da humanidade. Hoje, completam-se exatamente 40 anos desde que os suecos do Europe lançaram o álbum "The Final Countdown", o disco que não apenas mudou o destino da banda, mas redefiniu os limites do Hard Rock e do Hair Metal nos anos 1980.
De Estocolmo para o Espaço: A História da Banda
Antes de conquistarem o mundo, o Europe era uma banda de garotos de subúrbio em Estocolmo, na Suécia, originalmente batizada de Force em 1979. Liderados pela voz potente e visual de galã de Joey Tempest e pelas guitarras neoclássicas e virtuosas de John Norum, o grupo venceu um concurso de talentos na TV sueca em 1982, cujo prêmio era a gravação de um disco.
Seus dois primeiros álbuns (Europe e Wings of Tomorrow) apresentavam um Heavy Metal melódico cru e pesado, fortemente inspirado por bandas como Thin Lizzy e Deep Purple. Eles já faziam muito sucesso no Japão e na Escandinávia, mas faltava o passaporte para o mercado americano e global. Foi aí que a banda decidiu suavizar as arestas, trazer o produtor Kevin Elson (que já havia trabalhado com o Journey) e apostar alto nos sintetizadores. O resultado foi uma obra-prima comercial.
A Relevância e o Impacto de um Fenômeno Global
O terceiro álbum de estúdio do grupo foi um verdadeiro meteoro. "The Final Countdown" atingiu o topo das paradas em mais de 25 países e vendeu mais de 15 milhões de cópias mundialmente.
A faixa-título, inspirada na clássica "Space Oddity" de David Bowie, foi escrita por Joey Tempest em cima de um riff de teclado que ele havia composto anos antes, ainda na faculdade. Inicialmente, o guitarrista John Norum odiou a música, achando o teclado alto demais para uma banda de rock pesado. Ironicamente, aquela "fanfarra espacial" no sintetizador Yamaha KX76 transformou-se no maior trunfo da banda, virando hino de eventos esportivos, lançamentos de foguetes e festas de Ano Novo até hoje.
Mas o álbum estava longe de ser um disco de um único hit. Ele é um desfile de clássicos do Hard Rock oitentista:
A balada arrebatadora "Carrie", que alcançou o número 3 na Billboard Hot 100 e se tornou tema de milhares de bailes lentos e romances de época;
O hino veloz e pesado "Rock the Night", que mantinha o DNA do rock de arena da banda;
A energética "Cherokee", inspirada na história dos povos nativos americanos.
A Importância do Álbum para o Rock
A grande importância de The Final Countdown foi abrir as portas do mundo para o rock feito fora do eixo Estados Unidos-Reino Unido. O Europe provou que uma banda vinda da Suécia — país que até então era conhecido mundialmente apenas pelo pop do ABBA — poderia peitar gigantes do Hair Metal de Los Angeles, como Bon Jovi e Mötley Crüe, e vencer em seu próprio jogo.
Além disso, a produção impecável do disco serviu de manual para o que se convencionou chamar de Arena Rock: misturar guitarras pesadas e solos técnicos com ganchos pop absurdamente grudentos e teclados grandiosos.
Mesmo quatro décadas e muitos cabelos curtos depois, o Europe continua na estrada com a sua formação clássica. Eles sabem que, não importa quantos discos lancem, quando as luzes se apagarem e o teclado começar a ditar aquela contagem regressiva, o mundo inteiro vai parar para cantar junto.
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