32 Anos de "Raimundos": O Disco que Inventou o Forrocore e Mudou o Rock Nacional
Há exatos 32 anos, chegava às lojas o álbum de estreia autointitulado do Raimundos.
4/2/20262 min read


No dia 2 de abril de 1994, o rock brasileiro ganhava um soco no estômago — daqueles que a gente agradece depois. Há exatos 32 anos, chegava às lojas o álbum de estreia autointitulado do Raimundos, um disco que não apenas apresentou uma banda, mas fundou um estilo de vida: o Forrocore.
Gravado pelo selo Banguela Records (comandado pelos Titãs), o álbum trouxe uma mistura improvável entre o punk rock acelerado, o hardcore cru e as raízes nordestinas do forró de duplo sentido. O resultado? Um clássico absoluto.
A Mistura Improvável: De Brasília para o Sertão
Formada em Brasília, a banda composta por Rodolfo Abrantes, Digão, Canisso e Fred resolveu olhar para dentro. Enquanto o resto do país tentava copiar o grunge de Seattle, os Raimundos abraçaram a influência de Zenilton e do forró "safado", unindo as letras escrachadas à velocidade dos Ramones.
Músicas como "Puteiro em João Pessoa" e "Selim" tornaram-se hinos instantâneos. A primeira narrava uma experiência real de Rodolfo na Paraíba, enquanto a segunda, uma balada acústica aparentemente "fofa", escondia uma das letras mais ácidas e engraçadas da época.
Curiosidades do "Selim" ao "Puteiro"
A Benção dos Titãs: O disco foi produzido por Miranda (o lendário jurado e produtor) e teve o apoio direto de Nando Reis e Charles Gavin. Eles sabiam que tinham algo explosivo nas mãos.
Censura? Que nada! Mesmo com letras impublicáveis para a época, o disco estourou nas rádios. "Selim" chegou a ser uma das músicas mais tocadas do ano, provando que o brasileiro ama uma boa sacanagem com melodia chiclete.
O Som da Sanfona: A participação de músicos de forró no álbum não era apenas um detalhe; era a alma do projeto. Essa autenticidade fez com que a banda fosse respeitada tanto pelos punks quanto pela galera do Nordeste.
Relevância: O Legado de 1994
Trinta e dois anos depois, o primeiro disco do Raimundos continua soando fresco e perigoso. Ele abriu as portas para que o rock nacional voltasse a ter identidade própria, misturando regionalismo com peso. Sem esse álbum, talvez não tivéssemos o levante do rock dos anos 90 como conhecemos.
Ele é o retrato de uma banda no seu estado mais puro: suja, rápida, engraçada e extremamente técnica. Um disco que provou que, para ser global, você precisa primeiro ser local.








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